O primeiro Galaxie foi introduzido nos
Estados Unidos em 1959 como o Ford de grande porte. Seis modelos
compunham a linha e como todo americano da época, ostentava muitos
ornamentos cromados e aletas ("rabos de peixe") nos pára-lamas
traseiros. As opções de motores passavam por um seis-cilindros de 3,65
litros, o V8 de 4,8 litros e o V8 de 5,7 litros, com até 300 cv.
O
modelo 1960 crescia e ganhava faróis integrados à grade. O cupê
Starliner e sua versão conversível Sunliner eram as opções de topo. No
ano seguinte aparecia o V8 390 (6,4 litros) de 300, 330 e 375 cv, este
na opção Thunderbird Super,. Para 1962 o 390 dava lugar ao Thunderbird
406, de 6,6 litros e potência de 385 ou 405 cv.
Uma reformulação total para 1965 deu ao Galaxie as linhas com que o
conhecemos no Brasil, com os característicos faróis sobrepostos. Havia
17 versões, incluindo cupê e conversível, e cinco motores, do
seis-cilindros de 4,0 litros ao 427 Thunderbird High Performance, um V8
de 425 cv. No ano seguinte somava-se o V8 de 428 pol3. Essa linha foi
mantida até o modelo 1967, vindo no ano seguinte uma nova geração, de
estilo mais esportivo, mas que não mais ultrapassava os 360 cv. Em 1972 a
Ford deixava de produzir a linha Galaxie.
O primeiro automóvel da Ford
A Ford instalou-se no Brasil em 1°. de maio de 1919 para a montagem
de automóveis Modelo T e caminhões TT, com peças importadas da matriz
americana. O primeiro Ford fabricado no país, concluído em agosto de
1957, era um F-600 para seis toneladas, com motor V8 a gasolina e 40% de
nacionalização. O picape F-100 começava a ser feito em outubro.
Foram precisos 10 anos para que a Ford passasse a produzir aqui um
carro de passageiros. E, apesar da escassa motorização dos brasileiros, o
modelo escolhido não era econômico e acessível, mas luxuoso e caro: o
Galaxie 500, baseado no que os EUA fabricavam desde 1965. A primeira
unidade era produzida em 16 de fevereiro de 1967, marcando um momento
histórico para a Ford e, por extensão, para a indústria nacional.
Externamente era muito semelhante ao americano, com porte avantajado
(5,3 metros de comprimento, 2 m de largura, 3,02 m entre eixos), enorme
balanço traseiro e o predomínio de linhas retas. Os parrudos
pára-choques, as calotas, frisos, grade e o retrovisor eram cromados,
seguindo a tendência da época. De cada lado da ampla grade vinham dois
faróis redondos sobrepostos; as lanternas traseiras eram retangulares.
O espaçoso interior acomodava com folga lateral até seis pessoas em
dois bancos inteiriços, permitidos pela montagem da alavanca cromada do
câmbio, manual de três marchas, na coluna de direção. O painel tinha
escalas horizontais nos instrumentos e diversas luzes-piloto. Duas delas
indicavam motor frio e superaquecido, em vez de um marcador de
temperatura analógico; outra apontava o uso do freio de estacionamento,
acionado por pedal e liberado por alavanca. Integrado ao conjunto estava
um rádio ainda não-transistorizado.
O sistema de ventilação forçada, promovia alguma renovação de ar e o
desembaçamento do pára-brisa. Os quebra-ventos eram movimentados por
pequenas manivelas e molas limitadores de posição das portas permitiam
mantê-las abertas em dois ângulos: 45° e total. Tão extenso era o
porta-malas que, à frente de toda a bagagem, ainda cabia o enorme estepe
em posição horizontal.
O Galaxie era construído sobre um chassi de longarinas, de desenho
perimetral e não tipo escada, e trazia carroceria com deformação
programada na frente e na traseira, um fator de segurança. As
suspensões, tradicionais, empregavam molas helicoidais bastante macias,
em benefício do conforto; os freios eram a tambor nas quatro rodas. Os
primeiros modelos vinham com o robusto motor V8 do F-100, de 272 pol3 de
cilindrada e comando de válvulas no bloco, que desenvolvia 164 cv de
potência e 33,4 m.kgf de torque.
Não era o ideal para o elevado peso do Galaxie, 1.780 kg: as
acelerações eram lentas, de 0 a 100 km/h em 15 s, e a velocidade máxima
ficava em 150 km/h. Nos anos seguintes recebia novos equipamentos que
acentuavam seu conforto. Na linha 1969 passava a ser oferecido na versão
LTD. O acabamento mais refinado incluía teto revestido em vinil, grade e
frisos diferenciados, tapetes espessos, painel e portas com
revestimentos em jacarandá da Bahia, retrovisor externo com ajuste
interno, lampejador de farol alto, espelho de cortesia no pára-sol
direito e apoio de braço central no banco traseiro.
Junto do LTD vinha um motor de 292 pol3, 190 cv e torque de 37 m.kgf,
para melhora razoável no desempenho. O ar-condicionado tinha
evaporador, comandos e difusores de ar ainda sob o painel, enquanto a
direção assistida era tão leve que o volante podia ser movido com um só
dedo.
A combinação do motor 292 ao câmbio manual tornava-se disponível
apenas no modelo 1970 do Galaxie 500. Atingia 160 km/h reais de
velocidade máxima. A mesma época marcava o lançamento do Galaxie básico,
mais simples e acessível. Despojado no acabamento interno e externo,
perdia a direção assistida, a ventilação forçada, o rádio e muitos
cromados.
O sofisticado Landau
Um ano depois a Ford apontava para o caminho oposto, o do requinte,
com o LTD Landau. No caso deste Ford não havia capota conversível, mas
um adorno nas colunas traseiras simulava a tal dobradiça.
Além desses e de outros adornos, o Landau trazia um vidro traseiro
reduzido, para tornar o interior mais privado e aconchegante; calotas
raiadas, revestimento da capota em vinil corrugado, por fora, e material
aveludado, por dentro; e revestimento dos bancos em couro, opcional, ou
em cetim. Havia luzes de leitura na traseira, controladas pelo
motorista, e dois alto-falantes em vez de um só. O câmbio podia ser
manual ou automático.
Os freios tinham servoassistência e nas demais versões eram
aprimorados, mas mantendo os tambores: só em 1972 surgia a opção pelos
dianteiros a disco, mais eficientes e resistentes ao uso contínuo. No
ano seguinte, alterações de estilo na grade, lanternas e pára-lamas
traseiros davam-lhe um ar mais atual. A versão básica era descontinuada.
A alta da gasolina que se seguiu gerou dificuldade nas vendas de carros
grandes e que consumiam muito, fazendo com que só em 1976 a Ford
voltasse a efetuar modificações.
Os quatro faróis vinham em linha horizontal, com as luzes de direção
nas extremidades onde antes eles ficavam, e podiam usar lâmpadas
halógenas. A grade era menor, com barras verticais, embora o Galaxie 500
continuasse com frisos horizontais, e o pára-choque dianteiro trazia a
placa no lado esquerdo. Na traseira as lanternas vinham em conjuntos de
três retângulos, com as luzes de ré ainda no pára-choque, e todas as
seis eram acesas, conferindo ar imponente à noite. As calotas de desenho
liso traziam no centro o mesmo símbolo da "mira" fincada no capô: o
emblema da Lincoln americana, só que posicionado na horizontal.
A versão de topo era chamada apenas Landau. O motor, importado do
Canadá e de geração mais nova, representava novo aumento de cilindrada,
para 302 pol3 , passando a 199 cv e 39,8 m.kgf e melhorando sobretudo o
desempenho em baixa rotação. Com câmbio manual chegava a 160 km/h e
acelerava de 0 a 100 em 13 s; com transmissão automática, 150 km/h e 15
s.
Pouco foi modificado nos anos seguintes. Em 1978 ganhava um volante
de quatro raios, mais agradável ao toque, e o Landau vinha em cor única
prata Continental metálico, com teto de vinil no mesmo tom. No ano
seguinte a ignição eletrônica substituía os velhos condensador e
platinado, aprimorando o funcionamento do motor e reduzindo um pouco o
consumo. O ar-condicionado passava a ser integrado ao painel e o Galaxie
500 era eliminado, restando as versões LTD e Landau, este apenas com
câmbio automático.
Para 1980 o motor 302 era oferecido a álcool, opção comemorada por
muitos, por representar economia palpável ao abastecer o enorme tanque
de 107 litros. O chamado azul Clássico, muito elegante, era agora a
principal cor do Landau. A fechadura do porta-malas ganhava comando
elétrico, a suspensão traseira recebia um estabilizador e os cintos
dianteiros passavam ao tipo retrátil de dois pontos, embutido nas
colunas centrais. Nos pára-lamas traseiros surgiam pequenas lanternas
laterais.
No ano seguinte eram adotados os de três, junto de
suspensão recalibrada e novas pinças de freio; em 1982 as luzes de ré
eram incorporadas às lanternas e encerrava-se a produção do LTD. Em 2 de
abril de 1983 chegava ao fim também o Landau, depois de 77.850 unidades
produzidas entre todas as versões. O consumidor comum não mais podia
comprar o carro oficial de autoridades governamentais e preferido pelos
altos executivos. No entanto, até o final da década a Ford continuava a
receber tentativas de encomendas, por fiéis e conservadores clientes.


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