sexta-feira, 29 de julho de 2016
Dodge Coronet
terça-feira, 5 de julho de 2016
Maverick GT
A década de 70 foi única
sob vários aspectos. A moda abusou do exagero criando looks marcantes. A música
embalou milhões de mentes que buscavam apenas liberdade de espírito. No campo
automotivo a crise do petróleo tirou os beberrões das ruas, mas não sem antes
dar espaço a algumas máquinas inesquecíveis.
É interessante salientar
também que o mundo passava por um período de transformações. Guerras, novas
tecnologias, fim dos Beatles, morte do rei do rock Elvis Presley. Realmente
foram anos que não passaram em
branco. Aliás , a própria televisão em cores passou a marcar
presença nos lares brasileiros.
Estávamos vivendo o
chamado ”milagre econômico” e foi uma época de grandes esportivos equipados com
motores de oito cilindros em V. É o caso deste belíssimo Ford Maverick
GT, na cor Laranja
Mandarin, que saiu da linha de montagem exatamente no dia 13 de dezembro de
1973. E ninguém melhor do que o dono da máquina, Reinaldo Silveira, para contar
essa história em detalhes.
O título da matéria nos remete ao slogan
que a empresa criou com o intuito de estimular as vendas. Nesse período ele
tinha concorrentes de peso e disputava a atenção com o Dodge Charger R/T e
o Chevrolet Opala SS,
isso sem falar do Puma GTB S1, que chegaria mais tarde esquentando a briga.
Entre uma série de curiosidades sobre o
carro, uma se destaca: quase que o modelo não veio para o Brasil. A Ford
estudava a idéia de trazer o europeu Taunus em seu lugar. Mas o sucesso do Maverick nos
Estados Unidos fez com que a diretoria mudasse de idéia. Até se comenta que um
laboratório feito com possíveis compradores apontou a escolha da primeira
opção, mas o norte-americano acabou sendo lançado.
Esse clássico nacional
chama a atenção à distância. As faixas pretas na carroceria evidenciam seu
espírito esportivo. Como muitos veículos antigos esse também passou por um
rigoroso processo de restauração. “O trabalho durou oito meses, de dezembro de 2006 a julho de 2007.
Suspensão e embreagem novas, motor retirado, pintado e todos os selos
substituídos. Coletores de exaustão aluminizados. Sistema elétrico novo.
Interior original, com bancos de couro respeitando o padrão de fábrica. Essa
restauração foi conduzida pelo João Rondini, com resultados muito bons”, conta
Reinaldo.
Uma das características mais marcantes é o
ronco do veoitão, que não passa sem ser notado. Ele recebeu um carburador
quadrijet da Holley, comando de válvulas Crane 272/278º, coletor de admissão
Edelbrock de alumínio, distribuidor Mallory e ignição Crane. O sistema de
escapamento é um 8x2 e o Ford despeja aproximadamente 260 cavalos brutos no
asfalto. E tem mais: “o câmbio é um Tremec T5 e o carro ainda tem freios a
disco nas quatro rodas e utiliza pneus Cooper Cobra 225/60 R14 na frente e
245/60 R14 na traseira”, salienta o proprietário.
Reinaldo também conta
que tem outras máquinas na coleção, mas o cupê da Ford tem uma história
especial. “A mais marcante é que sempre quis um Maverick, que
acabou sendo só o terceiro carro antigo que adquiri depois do Landau 1981 a álcool e do Charger R/T 1978”, ressalta. “Logo que comprei meu pai ficou muito
contente, pois sabia da minha vontade de ter um deles. Então ele foi para a
restauração e sempre me perguntava quando ficaria pronto. Infelizmente o
processo somente terminou dois meses após seu falecimento”, diz.
O GT segue se
destacando no trânsito e também na passarela. Ele participou dos desfiles dos
dois últimos eventos chamados de “Maverick Night”, realizados no sambódromo do
Anhembi. Além disso, sai para esticar os músculos a cada quinze dias, sempre
abastecido com gasolina aditivada.
Desse modo o esportivo
marcou vidas, deixou lembranças e, mesmo após trinta e seis anos, segue
fascinando as pessoas de espírito jovem e apaixonadas por carros. No caso do
Reinaldo ele passou a simbolizar também, de certo modo, um elo forte e eterno entre pai e
filho.
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